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Imagem/reprodução: Facebook do programa 'A hora do Xibé' |
Um programa de rádio que dialoga sem
preconceitos com os gostos musicais, o jeito falar e as histórias de populações
de comunidades tradicionais no interior de Santarém. Um cortejo popular com um
cordão tradicional no interior de Cachoeira do Arari, no arquipélago do Marajó.
E um projeto de elaboração de livros sobre arqueologia e história que contam a
formação dos povos de Santarém.
Diferentes em particularidades, estes três
projetos têm em comum a essência de utilizar a cultura para fazer com que as
populações atingidas se conheçam melhor e valorizem sua cultura material e
imaterial.
O reconhecimento para os projetos ‘A Hora
do Xibé’ (Santarém), ‘Cordão do Galo’ (Cachoeira do Arari) e ‘Arqueologia nas
Escolas’ (Santarém) veio com a escolha das ações como finalistas do Prêmio
Rodrigo Melo de Franco 2019, a maior premiação sobre patrimônio cultural
brasileiro, realizado pelo Instituto Nacional do Patrimônio Histórico (Iphan).
O programa de rádio ‘A Hora do Xibé’
transmitido pela rádio Rural de Santarém extrapola as ondas radiofônicas para
melhorar a autoestima das comunidades locais.
Frei Florêncio Vaz (ao centro, de azul), coord. do projeto |
De acordo com o coordenador do projeto, o
professor da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), Florêncio Almeida
Vaz Filho, o programa teve um impacto positivo nos moradores porque as crenças
delas são mostradas de formas positivas.
As equipes formadas por estudantes
universitários da Ufopa de políticas afirmativas como indígenas, quilombolas e
ribeirinhos viajam pelas comunidades do interior de Santarém conversando com
moradores locais.
Ao saber que o projeto foi selecionado
entre os finalistas, o professor Florêncio Vaz Filho, emocionado, disse: a gente
paga para trabalhar, este reconhecimento é muito bom”, agradeceu ele.
Também em Santarém, o projeto “Arqueologia
nas escolas: Histórias da Amazônia/PA”, coordenado pela professora da Ufopa
Anne Rapp Ty-Daniel, está disseminando conhecimento produzido pelas pesquisas
arqueológicas nas regiões de Monte Alegre e Santarém para os estudantes de mais
de 80 escolas por meio de livros didáticos, oficinas para jovens, visitas aos
laboratórios de arqueologia, e a capacitação de professores.
“Parece óbvio, mas a história não começa
500 anos atrás. São 12 mil anos de ocupação e história dessas localidades,
estes municípios não estão ocupados de agora. As populações estão aqui há
milhares de ano, as interações que existiam entre elas”, destaca a professora.
O conhecimento sobre a história ancestral
de Santarém também trabalha o reconhecimento de populações tradicionais
quilombolas e indígenas que estão em volta de Santarém e Monte Alegre.
No total foram impressos e estão sendo
distribuídos 4.200 livros infantis para crianças, 2.300 livros para estudantes
do ensino médio e fundamental e 1800 guias do Parque Arqueológico de Monte
Alegre. O projeto ainda disponibiliza os livros para baixar em uma página do
Facebook.
O último projeto que conseguiu ser
finalista foi o ‘Cordão do Galo’, em Cachoeira do Arari,no Marajó, do Instituto
Arraial do Pavulagem. O projeto promove as ações educativas patrimoniais
visando a memória, salvaguarda dos registros e legados culturais, como os
saberes, as oralidades de mestres, e as manifestações tradicionais da região marajoara,
transmitidas para crianças e jovens.
Estes três projetos foram os únicos
paraenses a chegar na final e disputarão com outras 96 ações de todo o Brasil a
premiação que concederá o valor de R$ 30 mil.
O resultado final do concurso deverá ser
divulgado até o dia 05 de setembro.
Fonte: Portal ORM
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