sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Tite convoca seleção para amistosos de setembro

Tite, técnico da Seleção, anuncia a convocação da Seleção — Foto: Pedro Martins / MoWA Press

A seleção brasileira está convocada para a próxima rodada de amistosos, contra Colômbia e Peru, que acontece no início do próximo mês. Diante de alguns problemas, como a suspensão de Gabriel Jesus e a lesão de Alisson, e diante do processo de renovação que se faz presente desde o fim da Copa do Mundo da Rússia, a lista divulgada pelo técnico Tite tem algumas novidades. A começar pela posição de goleiro, em que Ivan, da Ponte Preta, e Weverton, do Palmeiras, foram convocados ao lado de Ederson, do Manchester City.

Ivan, de 22 anos, a propósito, é um dos três presentes na lista que jamais vestiram a camisa da seleção principal. Além dele, receberam a primeira chance o atacante Bruno Henrique, de 28 anos, do Flamengo, e o zagueiro Samir, de 24 anos, da Udinese.


Uma das dúvidas que antecederam o anúncio era com relação à presença de Neymar, mas Tite confirmou a convocação do atacante do Paris Saint-Germain que está recentemente recuperado de uma lesão no pé direito e não entra em campo em uma partida oficial desde o dia 6 de junho, quando a Seleção venceu o Catar em amistoso na cidade de Brasília.

- Conversei com ele, levamos três aspectos. Qual era o momento dele, como ele estava. Ele disse que estava feliz, trabalhando há um tempo. "Não faço trabalho tático, pois é uma preparação da equipe", disse. Perguntei emocionalmente sobre toda a situação: "Estou tranquilo, sei que há o encaminhamento e agora aguardo o PSG na definição". E o terceiro aspecto era a ideia dele jogar antes, um tempo hábil para jogar, e um atleta do nível e da qualidade de Neymar, eu não vou prescindir como técnico - explicou o treinador durante a coletiva.

A apresentação dos jogadores está marcada para o dia 1° de setembro, nos Estados Unidos. No dia 6, às 22h30 (de Brasília), em Miami, a Seleção enfrenta a Colômbia. No dia 10, às 23h30, em Los Angeles, o adversário será o Peru.

Veja a lista:

GOLEIROS
·         Ederson (Manchester City)
·         Ivan (Ponte Preta)
·         Weverton (Palmeiras)

DEFENSORES
·         Alex Sandro (Juventus)
·         Daniel Alves (São Paulo)
·         Éder Militão (Real Madrid)
·         Fagner (Corinthians)
·         Jorge (Santos)
·         Marquinhos (Paris Saint-Germain)
·         Thiago Silva (Paris Saint-Germain)
·         Samir (Udinese)

MEIO-CAMPISTAS
·         Alan (Napoli)
·         Arthur (Barcelona)
·         Casemiro (Real Madrid)
·         Fabinho (Liverpool)
·         Lucas Paquetá (Milan)
·         Philippe Coutinho (Barcelona)

ATACANTES
·         Bruno Henrique (Flamengo)
·         David Neres (Ajax)
·         Roberto Firmino (Liverpool)
·         Neymar (Paris Saint-Germain)
·         Richarlison (Everton)
·         Vinicius Junior (Real Madrid)


Globo Esporte.Globo.com

PRF retira radares móveis da fiscalização das rodovias federais

Foto: Arquivo/Agencia Brasil

A Polícia Rodoviária Federal (PRF), em cumprimento aos despachos do presidente da República, Jair Bolsonaro, que determinou a suspensão do uso de radares estáticos, móveis e portáteis nas rodovias federais, mandou recolher esses equipamentos do serviço diário de fiscalização. A decisão vale até que o Ministério da Infraestrutura conclua a reavaliação da regulamentação dos procedimentos para fiscalização eletrônica de velocidade em vias públicas.


Nessa quinta-feira (15), a instituição emitiu nota circular administrativa, ordenando gestores e servidores que cumpram a determinação.

A nota assinada pelo diretor-geral da PRF, Adriano Marcos Furtado, prevê também a revogação dos atos administrativos internos que dispõem sobre a atividade de fiscalização eletrônica de velocidade em rodovias e estradas federais. O diretor determinou também que sejam priorizadas a revisão dos normativos para simplificação e desburocratização para que contemplem instrumentos que fomentem o “caráter pedagógico e a otimizar a eficiência das ações para incremento da segurança viária”.

Ao deixar o Palácio da Alvorada, na manhã de ontem, Bolsonaro disse que os radares fixos, aqueles instalados em postes ao lado das rodovias, não entram nessa suspensão, pois o governo tem contratos com empresas que operam esses equipamentos. “Não vamos alterar contratos”.
Agência Brasil


Tribunal de Contas do Estado do Pará apresenta ferramenta que facilita pesquisa de acórdãos de julgamentos

 A nova ferramenta de pesquisa no site do Tribunal sobre acórdãos de julgamentos de prestações e tomadas de contas quanto à aplicação de recursos públicos do Estado e registros de aposentadorias, reformas, pensões, além de consultas e denúncias ja está valendo. Foto: Gran Cursos


Criada no último mês de junho por meio da Portaria nº. 34.877/19, e coordenada pelo conselheiro Nelson Chaves, a Comissão de Consolidação e Sistematização de Jurisprudência do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PA) começa a mostrar seus resultados efetivos e positivos.

Fruto de uma parceria da Comissão com a Secretaria de Tecnologia da Informação (SETIN) do tribunal, já está disponibilizada no Portal do TCE, no endereço www.tce.pa.gov.br, a pesquisa por conteúdos dos “Boletins Informativos de Jurisprudência”.
Com a ferramenta, ficou mais fácil encontrar decisões proferidas pelo Tribunal Pleno do TCE-PA. A partir de agora, basta que se digite uma “palavra-chave” para que os usuários identifiquem os julgados selecionados no Boletim. Dessa forma, buscas e pesquisas foram otimizadas e simplificadas.
“O objetivo da criação da ferramenta é facilitar aos usuários a busca pelos entendimentos relevantes julgados pelo Tribunal Pleno. Com isso, poderemos contribuir para uma maior transparência desses atos e dar segurança jurídica sobre as decisões aos profissionais que as acessarem”, revelou o conselheiro substituto Edvaldo Souza, integrante da Comissão de Consolidação e Sistematização de Jurisprudência do TCE-PA.
Para além de contemplar a seleção das decisões enunciadas pelo Tribunal Pleno por relevância do tema tratado, o conselheiro Nelson Chaves, coordenador da Comissão, destaca outras características positivas da iniciativa.
“As informações disponibilizadas englobam os julgados que revelem os entendimentos reiterados deste Tribunal acerca de determinado objeto. Desta forma, a população pode realizar o controle social das decisões proferidas pelo Tribunal de Contas”, destaca. Ainda segundo ele, “através dos links disponibilizados, os interessados vão poder acessar o inteiro teor dos acórdãos referenciados”.
Integram a Comissão de Consolidação e Sistematização de Jurisprudência do TCE-PA, além do conselheiro e coordenador Nelson Chaves e do conselheiro substituto Edvaldo Souza, os servidores José Tuffi Jr. (secretário geral), Paulo Meira (procurador jurídico) e os auditores de Controle Externo Isabella Emmi, Vanessa Rocha e Rafael Saavedra.

Para visualizar detalhes da nova ferramenta, clique aqui.
Com informações do Portal TCE

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Lei que reconhece e valoriza o Artesanato santareno, incluindo a gastronomia, é sancionada por Nélio Aguiar

Stand no Centro de Artesanato Cristo Rei - Foto/divulgação: Agencia Santarém

No dia 24 de julho de 2019, o Prefeito de Santarém Nélio Aguiar sancionou a Lei nº 20.586 que dispõe sobre o reconhecimento e a valorização da produção artesanal do município de Santarém. 

O Projeto de Lei é resultado de um trabalho em conjunto da Secretaria Municipal de Turismo (Semtur) e Gabinete do Vereador Júnior Tapajós, e tornando o Artesanato santareno objeto de política específica no âmbito municipal, com base nas normas do Programa do Artesanato Brasileiro, fixadas na Lei Complementar que orienta para a valorização da identidade e da cultura local; a capacitação e a qualificação dos produtores artesanais; integração com outros setores; certificação de qualidade e apoio a divulgação e comercialização.

De acordo com o secretário de Turismo, Diego Pinho, o primeiro passo para o reconhecimento da produção artesanal do município, por meio da Lei aconteceu em abril de 2018 quando a Secretaria de Turismo iniciou um amplo debate com os artesãos de Santarém. "Em abril de 2018 iniciamos reuniões para debater a importância de efetivar as politicas públicas para o aprimoramento do fazer artesanal e sensibilizar os agentes públicos e artesãos para a construção da Lei, a luz do Programa do Artesanato Brasileiro. 

Com o apoio do Vereador Júnior Tapajós e da Procuradoria do Município os artesãos tem seu trabalhos, hoje, protegidos por Lei que permitirá inclusive a criação da Diretoria Municipal da Produção Artesanal, que terá a gestão do desenvolvimento de programas de formação da produção artesanal de Santarém", explicou Diego.

A representante da Federação do Artesanato do Pará (Fecapa) e membro do Conselho de Turismo de Santarém, Georgete Guimarães falou sobre a importância da Lei para os artesãos de Santarém. "A Lei da nossa produção artesanal vem regulamentar o nosso trabalho como artesãos, seja ele individual, em grupos ou entidades associativas. A Lei vem dar orientações para construção de programas e nortear as diretrizes que futuramente nos ajudarão a construir o Fórum do Artesanato para o fortalecimento da nossa categoria, esse é um marco para a valorização efetiva do nosso trabalho. A Lei é um presente da gestão atual que normatiza o nosso fazer artesanal, e nos reconhece como uma atividade que gera divisas econômicas para o município", destacou.

Para o vereador Júnior Tapajós, autor da Lei, esse momento é um marco para dar mais qualidade ao processo de construção dos produtos do artesanato santareno, bem como a profissionalização dos artesãos. "A Lei atende os anseios dos artesão, que sempre lutaram para serem reconhecidos na sociedade, que a partir dos dispositivos da Lei, o poder executivo terá condições de desenvolver políticas públicas para dar mais qualidade e seus produtos, além do fortalecimento da profissão do artesão, e a melhoria de sua qualidade de vida", endossou.

A Lei inclui a gastronomia, entre outros seguimentos do artesanato que não são contemplados pela Programa do Artesanato Brasileiro.

Agencia Santarém Notícias

Dupla invade fórum de Justiça no Pará e rouba dezenas de armas

Um dos criminosos estava armado com uma pistola. Cerca de 20 armas foram roubadas pela dupla, segundo a Polícia Civil. | Reprodução


Dois homens armados invadiram o Fórum de Santa Luzia do Pará, no nordeste paraense, na tarde da última quarta-feira (14) e roubaram cerca de 20 armas, entre revólveres calibre 32 e 38, além de espingardas.

De acordo com a Polícia Civil, os criminosos - um deles armado com uma pistola - chegaram em uma motocicleta de cor azul, entraram no prédio do Fórum e colocaram em cárcere os três servidores que estavam no local.

Segundo a Polícia Civil, os assaltantes anunciaram que queriam pegar um inquérito e uma pistola para “livrar” um irmão deles. Eles amarraram as mãos dos servidores e coagiram os servidores a falarem onde estavam guardadas as armas apreendidas pelo Poder Judiciário.
Além das armas, os criminosos levaram o celular de um dos servidores. Nenhum processo foi levado, ao que tudo indica, de acordo com a PC.

Os assaltantes saíram deixando os servidores amarrados e trançados na sala do júri do Fórum.

A Polícia segue investigando para encontrar os responsáveis pelo crime.

Diario do Pará

Promotores apontam graves riscos na condução da proposta de Abuso de Autoridade

Foto/divulgação: Portal Ponta Porã

Diante do resultado da votação, na Câmara dos Deputados, que aprovou urgência ao PL 7596/2017 — que define as situações em que será configurado o crime de abuso de autoridade, — o presidente da entidade que representa cerca de 15 mil membros do Ministério Público (CONAMP) afirmou que, “a agilidade imposta para  priorizar o projeto implica em uma inversão de pauta que contraria os anseios da sociedade. Ao invés de votar os projetos de lei que reforçam o combate à corrupção, às organizações criminosas e à impunidade, os parlamentares optaram por votar um texto que pode, eventualmente, inibir a atuação dos agentes encarregados de combater a corrupção.”

Segundo Victor Hugo, no projeto sob a relatoria do ex- senador Roberto Requião, determinados pontos polêmicos representam riscos à atuação austera do MP - e de outras carreiras que operam no Sistema de Justiça Criminal - a exemplo de previsão de crimes que tratam de condutas que são meras irrregularidades administrativas; figuras criminosas imprecisas e permeadas de subjetividade, além de penas desproporcionais.

Por fim, o porta-voz da Conamp teme que integrantes do Sistema de Justiça e Segurança Pública possam estar suscetíveis a processos pelo fato de exercerem legitimamente suas atribuições, em especial no combate à corrupção e outros crimes graves.

Victor Hugo Azevedo 
Presidente

Giovana Jardim (Ascom)

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Câmara aprova texto-base do PL sobre crimes de abuso de autoridade


Deputados reunidos no plenário da Câmara durante a sessão desta quarta-feira (14) — Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
O plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (14), em votação simbólica, o Projeto de Lei 7.596/17, que define os crimes de abuso de autoridade. O texto engloba atos cometidos por servidores públicos e membros dos três Poderes da República, do Ministério Público, dos tribunais e conselhos de contas e das Forças Armadas. 
Neste momento, parlamentares analisam os destaques, que são sugestões de alterações ao texto. Caso não seja feita nenhuma mudança, a matéria segue para sanção presidencial. Se for alterado pelos deputados, o texto retorna para análise do Senado.  
Aprovado no Senado em junho, o texto prevê a criação do crime de caixa 2, de compra de votos e o aumento de pena para o crime de corrupção, tornando a prática hedionda em alguns casos. Atualmente considerada crime eleitoral e não penal, com penalidade inferior à aplicada a outros crimes e passível de prescrição no prazo de um mandato, a prática de caixa 2 em campanha eleitoral poderá ser tipificada como crime.

Pedido de urgência

Parlamentares aprovaram o pedido de urgência da votação do PL ainda nesta quarta-feira, o que viabilizou a apreciação do texto na sessão de hoje. Ao justificar a inclusão da matéria na sessão, o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que a proposta já havia sido aprovada em 2016. 
“A Câmara aprovou o projeto de abuso de autoridade em 2016. O Senado, este ano, dialogando com líderes da Câmara, debateu e aprovou o abuso de autoridade e devolveu a matéria à Câmara - que automaticamente mantém a urgência da votação anterior, de 2016. Então, nós poderíamos ter botado na pauta, já com a urgência garantida, a matéria que voltou do Senado Federal”, explicou Maia.
De acordo com o presidente da Câmara, a proposta da Câmara foi ampliada após críticas de servidores do Poder Judiciário, pois a matéria tratava exclusivamente de juízes, promotores e procuradores. Dessa forma, o texto em votação é oriundo do Senado, de autoria do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP). 
“A nossa decisão, ouvindo a maioria dos líderes, foi compreender que juízes e promotores estavam com a razão e que nós deveríamos aprovar o abuso para os três Poderes. É por isso que nós, hoje, votamos a urgência. Porque entendemos que esse texto atinge de forma democrática a todos aqueles que, revestidos de um cargo público, podem cometer algum crime de abuso de autoridade”, disse Maia. “Queremos que exista uma lei que mesmo o presidente da Câmara, se extrapolar as suas funções públicas, que responda por isso também”.  

Atualizar legislação

Para o relator do projeto, deputado Ricardo Barros (PP-PR), a legislação atual não está atualizada. Segundo ele, o texto que foi aprovado na Câmara promove alteração nas leis de Prisão Temporária e de Interceptação Telefônica e no Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil. 
“O projeto exige, para caracterização dos crimes de abuso de autoridade, que o agente atue com finalidade específica de prejudicar outrem ou beneficiar a si mesmo ou a terceiro, ou, ainda, por mero capricho ou satisfação pessoal, o que é atenuante — além de ser preciso provar as normas que estão no projeto, é preciso também que a conduta seja em benefício próprio ou de terceiros, como está aqui”, disse. 
Barros defendeu ainda que a proposta não criará “qualquer constrangimento” para o Judiciário. “Na maioria das vezes, é o Ministério Público e quem vai julgar é o Judiciário. Então, não há que se falar que nós estamos criando qualquer constrangimento para esses Poderes, porque eles é que vão exercer a execução dessa lei”, disse.

Divergência

Por outro lado, congressistas de partidos como Novo e PSL defenderam que a proposta fosse debatida por mais tempo na Câmara. Para a deputada Soraya Manato (PSL-ES), a medida poderia intimidar juízes e agentes públicos na atuação de suas atividades. 
“O texto apresentado não foi submetido a um debate com a sociedade, não houve uma discussão séria para construir um conjunto melhor de regras para inibir o abuso de autoridade no país. Essa PL intimida os magistrados e agentes públicos no desempenho de suas funções com independência”, disse.
Fonte: Agência Brasil



Caravana fluvial Mambembarca promove o teatro em cidades ribeirinhas do Pará


Dezuó – Breviário das águas, criado pelos paulistas do Núcleo Macabéa, traz à tona o debate sobre os impactos sociais, culturais e ambientais provocados pela instalação de grandes projetos de exploração dos recursos naturais da Amazônia. (imagem: Cacá Bernardes)
Esse rio é minha rua
Minha e tua, mururé
Piso no peito da lua
Deito no chão da maré


Os versos da canção “Esse Rio É Minha Rua”, criada por Paulo André e Ruy Barata e famosa na interpretação de Fafá de Belém, narram poeticamente uma realidade muito comum das regiões amazônicas: o rio como eixo central do cotidiano ribeirinho. A convivência em meio às árvores, aos animais e a todas as riquezas da mata cria um extenso universo particular de cultura, tradições e hábitos característicos das regiões envolvidas pelos rios.  
Esse lirismo das águas na vida das populações que sobrevivem a partir das condições oferecidas pela natureza é, essencialmente, a perspectiva predominante no projeto Mambembarca – uma caravana fluvial que vai levar a 12 cidades localizadas nas margens do Rio Amazonas, no Pará, espetáculos teatrais de temática amazônica que representam os costumes e a oralidade dos povos da floresta.
Idealizada por Alberto Silva Neto, ator, diretor e professor de teatro, a iniciativa marca os 30 anos do grupo Usina, companhia de teatro paraense fundada em 1989 e cuja trajetória foi construída pela experimentação da linguagem cênica e pela atenção dada às questões humanas e sociais. Cofundador do grupo, Alberto conta que a longevidade merece uma comemoração e Mambembarca é como um presente.
“Nos últimos 15 anos, nós do Usina iniciamos uma imersão, desenvolvendo uma investigação das possibilidades de compreender e expressar cenicamente as singularidades dos povos da floresta. O grupo se volta para o teatro em uma poética que se debruça sobre os modos de vida e as condições humanas de quem habita a Amazônia”, explica o diretor.
A decisão de retratar teatralmente a realidade dos ribeirinhos despontou através da necessidade de abordar as problemáticas características desse contexto, principalmente dos conflitos que surgem entre povos nativos e os agentes de exploração da mata. Nesse sentido, os espetáculos escolhidos para compor a caravana são integralmente representativos das populações amazônicas, ainda que apresentados por diferentes ângulos, e buscam despertar uma consciência ambiental.

Em Parésqui, duas atrizes mimetizam corpo e voz cotidianos para narrar vivências de oito pessoas de uma mesma família, que vive na ilha do Combu - em frente a Belém. (imagem: André Mardock)



“Os roteiros e as construções são completamente distintos, tanto em sua forma quanto em sua fonte dramatúrgica, mas são todos olhares que se complementam para retratar e pensar a cultura amazônica”, esclarece Alberto Silva Neto, que dirige também Solo de Marajó,Pachiculimba e Parésqui, todas integrantes do projeto.

Em Solo de Marajó, o grupo Usina narra oito histórias extraídas da obra do romancista paraense Dalcídio Jurandir, considerado o maior expoente do romance regionalista no Norte, e cujos temas oferecem uma inigualável radiografia das relações sociais e políticas praticadas em pequenos povoados às margens dos rios. (imagem: JM Conduru Neto)
A quarta e última peça presente na caravana é Dezuó, Breviário das Águas, criação do coletivo paulista Macabéa, que versa sobre os impactos da Usina de Belo Monte, no Pará, e que foi convidado para participar por se relacionar teatral e substancialmente com os fundamentos da iniciativa (a arte que abre a matéria).
O antagonismo entre os caboclos que se preocupam com a proteção e a preservação da floresta e o “sistema predatório”, como descreve Alberto Silva Neto, é uma das ênfases que o Usina pretende dar em seu caminho pelo Rio Amazonas – deslocamento extenso de quase 1.000 quilômetros por uma região cujos habitantes somam 2,2 milhões de pessoas e que compreendem mais de 25% da população paraense atual.
“O ser humano já está na Amazônia há 11 mil anos. Se ela está ainda preservada atualmente, mesmo que não em sua totalidade, é porque os povos que lá se criaram dominavam técnicas muito sofisticadas de relação com o meio ambiente, quase como uma tecnologia de conservação. Por isso, elegemos locais e habitantes muito singulares e muito próximos do que exploramos em nossos espetáculos. A temática amazônica envolve realmente um conflito entre o sistema consciente e o sistema agressor, e a população fica no meio dessa divisão. Pensando nesse sentido, prezamos pela cultura amazônica em si; buscar compreender que ser humano é esse, como ele se relaciona com a vida que ele leva e como os caboclos se posicionam diante das questões do mundo. É fundamental retratar essa realidade”, explica o teatrólogo.
A escolha pelo meio de locomoção fluvial, com barcos que irão percorrer a região metropolitana de Belém até chegar a Santarém – a segunda mais importante cidade do Pará e principal centro cultural do oeste paraense –, não foi por acaso. Os obstáculos característicos da viagem, com locais de difícil acesso e sem estrutura de rodovias que facilitam a chegada aos povoados parece, à primeira vista, o motivo principal para justificar a navegação pelas águas. Mas, como explica o idealizador de Mambembarca, a dimensão da caravana é simbólica.
“Podemos legitimar o uso de barcos por ser a forma mais prática e eficiente de se locomover nessas localidades, é claro. Mas, em primeiro lugar, é um meio de locomoção lírico, que possui uma dimensão poética, pois estaremos fazendo o trajeto em um meio de transporte muito próximo da cultura das populações ribeirinhas e amazônicas”, descreve Alberto Silva.
Essa aproximação do dia a dia ribeirinho é, inclusive, outro destaque do projeto contemplado pelo programa Rumos Itaú Cultural. Alberto conta que a motivação central no desenvolvimento das atividades foi a possibilidade de conexão efetiva com aqueles que inspiraram as histórias encenadas.
“O projeto Mambembarca significa um contato com a realidade, como se estivéssemos levando o teatro e as discussões sociais àqueles que inspiram as peças. É significativo para nós a possibilidade de encontrar as pessoas que são espelho para nossas encenações. Existe, antes de tudo, o desejo de ir para além das fronteiras, físicas e mesmo aquelas invisíveis. Penso, metaforicamente, como se fosse uma viagem para dentro. Estamos saindo do centro urbano e adentrando os rios, mergulhando interiormente. Nós vamos colocar nosso teatro em contato com a própria origem”, reflete o diretor.
Para fortalecer o vínculo das peças teatrais com os povos da floresta, a iniciativa vai ainda promover ações paralelas às apresentações públicas dos espetáculos. No total serão 48 encenações das montagens integrantes de Mambembarca e todas serão complementadas com conversas informais após o encerramento. Dessa forma, o grupo Usina pretende dar espaço às pessoas, procurando compartilhar experiências e pensamentos e estabelecer relações com o cotidiano das populações amazônicas. É, como elucida Alberto Silva, um teatro de natureza política, uma arte pública, que coloca como prioridade aqueles que normalmente não têm acesso à cultura.

“A finalidade maior do nosso projeto é promover o teatro como um veículo de discussão e reflexão, tanto cultural quanto política e social. As oficinas em cada cidade constituem um viés pedagógico, voltadas para estimular os difusores de cultura, os multiplicadores de ideias e questões e, claro, ajudar no amadurecimento do pensamento ribeirinho ante as problemáticas de suas realidades. Essa dimensão pedagógica é muito importante. Por isso, não é meramente um show. É claro que a distração e o entretenimento são legais, mas nosso projeto quer impactar de forma diferente a vida das pessoas. Queremos que nossa passagem construa outros sentidos e possibilidades de compreender as questões sociais, colocando a arte em contato profundo com o pensamento de seu público”, finaliza o responsável pelo projeto.
A caravana Mambembarca sobe o Rio Amazonas, de Belém a Santarém, percorrendo cinco municípios da Ilha de Marajó e outros cinco da mesorregião do Baixo Amazonas desde o dia 3 de julho até 27 de agosto de 2019, levando gratuitamente quatro espetáculos e oficinas de teatro a 12 municípios do Pará.

A programação da Mostra de teatro em Santarém é a seguinte:

- Dias 18 e 19 (Dom e seg) - Dezuó, Breviário das águas (Nucleo Macabéa - SP)
- Dia 20 (Ter) - Parésqui (Grupo USINA - PA)
- Dia 21 (Qua) - Solo de Marajó (Grupo USINA - PA)

Local: Casa de Cultura
Hora: 20h



Texto: Marina Lahr
Fonte: Itaú Cultural



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